25 de Abril
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo
Sophia de Mello Breyner Andresen, in 'O Nome das Coisas'
Escola Secundária/3 Dr. Flávio F. Pinto Resende
25 de Abril
Apetece chamar-lhes irmãos,
tê-los ao colo,
afagá-los com as mãos,
abri-los de par em par,
ver o Pinóquio a rir
e o D. Quixote a sonhar,
e a Alice do outro lado
do espelho a inventar
um mundo de assombros
que dá gosto visitar.
Apetece chamar-lhes irmãos
e deixar brilhar os olhos
nas páginas das suas mãos.
José Jorge Letria
Os meus livros
Os meus livros (que não sabem que existo)
São uma parte de mim, como este rosto
De têmporas e olhos já cinzentos
Que em vão vou procurando nos espelhos
E que percorro com a minha mão côncava.
Não sem alguma lógica amargura
Entendo que as palavras essenciais,
As que me exprimem, estarão nessas folhas
Que não sabem quem sou, não nas que escrevo.
Mais vale assim. As vozes desses mortos
Dir-me-ão para sempre.
Jorge Luis Borges
«Serpa Pinto – de seu nome completo Alexandre Alberto da Rocha de Serpa Pinto – nascido no concelho de Cinfães, é o mais conhecido dos exploradores da África portuguesa e uma das figuras mais consensuais da nossa História, relacionada com a segunda metade do século XIX. Cinfães fez dele, justamente, a sua figura cimeira: por ter aqui nascido, por ter mantido com a sua terra uma ligação afetiva que o tempo não desvaneceu e que os seus descendentes mantiveram.»
No dia do 180° aniversário de nascimento de Serpa Pinto a ACSP realizou entre nós uma conferência subordinada ao tema: “Realização e tensões do processo de estabelecimento de Portugal no mundo: do dealbar da época moderna ao tempo Serpa Pinto”. Os palestrantes? Três conferencistas de renome vindos da Universidade Aberta, tendo por plateia as Turmas: 10.º C, 11.º D e 3.ºA.
Referindo-se à questão de Portugal no mundo, à luz do legado da figura inspiradora de Serpa Pinto e face à conjuntura atual, os palestrantes sublinharam a crescente importância de termos voz própria e de lutarmos contra os canhões da ignorância.
Bem-haja à Associação Cultural Serpa Pinto, Câmara Municipal de Cinfães e à Universidade Aberta!
PÁSCOA
Um dia de poemas na lembrança
(Também meus)
Que o passado inspirou.
A natureza inteira a florir
No mais prosaico verso.
Foguetes e folares,
Sinos a repicar,
E a carícia lasciva e paternal
Do sol progenitor
Da primavera.
Ah, quem pudera
Ser de novo
Um dos felizes
Desta aleluia!
Sentir no corpo a ressurreição.
O coração,
Milagre do milagre da energia,
A irradiar saúde e alegria
Em cada pulsação.
Miguel Torga, in Diário XVI
«Miguel Torga é um pseudónimo de Adolfo Rocha, médico oriundo de uma família humilde de Sabrosa.
Em 1934, aos 27 anos, Adolfo Correia Rocha autodefiniu-se pelo pseudónimo que criou, “Miguel” e “Torga”.
A escolha de “Miguel” foi em homenagem a dois grandes vultos da cultura ibérica: Miguel de Cervantes e Miguel de Unamuno.
Já Torga é uma planta brava da montanha, que deita raízes fortes sob a aridez da rocha, de flor branca, arroxeada ou cor de vinho, com um caule incrivelmente retilíneo.»