Hoje celebramos duas formas de vida que crescem lado a lado: a árvore e a poesia. Hoje, mais do que assinalar datas, celebramos a importância de proteger aquilo que nos faz humanos e aquilo que torna o mundo habitável. Cuidar da natureza e da palavra é cuidar do futuro — com consciência, com respeito e com esperança.
Ver claro
Toda a poesia é luminosa, até
a mais obscura.
O leitor é que tem às vezes,
em lugar de sol, nevoeiro dentro de si.
E o nevoeiro nunca deixa ver claro.
Se regressar
outra vez e outra vez
e outra vez
a essas sílabas acesas
ficará cego de tanta claridade.
Abençoado seja se lá chegar.
Eugénio de Andrade, in Os sulcos da sede

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